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Dia da exibição: 11/06/2005
(The revolution will not be televised) Documentário. 2003.
Irlanda
O documentário A revolução não será televisionada, filmado e
dirigido pelos irlandeses Kim Bartley e Donnacha O’Briain,
apresenta os acontecimentos do golpe contra o governo do
presidente Hugo Chávez, em abril de 2002, na Venezuela. Os dois
cineastas estavam na Venezuela realizando, desde setembro de 2001,
um documentário sobre o presidente Hugo Chavez e o governo
bolivariano quando, surpreendidos pelos momentos de preparação e
desencadeamento do golpe, puderam registrar, inclusive no interior
do Palácio Miraflores, seus instantes decisivos, respondido e
esmagado pela espetacular reação do povo.
É
apresentado o cenário em que se desencadeiam os acontecimentos de
abril de 2002. A Venezuela está entre os cinco maiores países
produtores de petróleo do mundo, sendo um dos maiores fornecedores
dos Estados Unidos. Ao assumir a presidência, em 1998, Hugo Chavez
passou a defender a distribuição dos rendimentos auferidos com o
petróleo para investimentos sociais voltados à maioria do povo e
intensificou as críticas às políticas liberais inspiradas nos
EUA, o que levantou a ira das classes dominantes locais e do
imperialismo norte-americano, acostumados a governos submissos.
A partir de então, o governo de
Hugo Chavez e a “revolução bolivariana” passariam a enfrentar,
diariamente, uma verdadeira cruzada na mídia empreendida pelos
cinco canais de televisão privada do país. A cruzada foi
respondida com o avanço da mobilização e a organização da
grande massa de explorados do país, abrangendo mais de 80% da
população pobre. Em 1999 foi aprovada, por meio de referendo
popular, a nova Constituição da Venezuela. Ela ampliou a participação
política das massas populares através da organização dos círculos
bolivarianos pelos bairros e favelas.
Com bastante propriedade, o
documentário consegue mostrar a permanente campanha de mentiras
urdida pelos meios de comunicação contra o governo de Hugo Chavez,
as relações da grande mídia com a elite econômica, militares
dissidentes e a articulação dos EUA na manipulação dos fatos.
Evidencia também a intervenção direta do imperialismo
norte-americano na organização do golpe, em sua preparação e
organização na embaixada americana em Caracas que foi,
posteriormente, comprovada com documentos. Como disse o então
diretor da CIA George Tenet, em entrevista na TV Venezuelana, dias
antes do golpe, Chavez “não está preocupado com os interesses
dos EUA”.
As articulações que envolveram a
grande mídia na tentativa golpista foram por ela mesma reveladas,
momentos depois de empossarem Pedro Carmona. Momentos, aliás, muito
bem registrados no documentário: mostram a arrogância do
procurador, designado por Carmona, ao anunciar a dissolução do
Congresso, da Corte Suprema e revogar a Constituição, e depois de
algumas horas, todo assustado, ao ser preso, num canto de uma sala
do palácio.
Outro aspecto importante do
documentário é a revelação da manipulação dos canais de
televisão comerciais sobre os responsáveis pelos assassinatos dos
manifestantes em 11 de abril de 2002. Todos os canais privados de
televisão que, junto à imprensa escrita e radiofônica,
justificaram o golpe de estado de 11 de abril com uma edição de
imagens em que aparece um grupo de apoiadores de Chavez, situados na
Ponte Llaguno de Caracas, realizando disparos. Estas imagens foram
utilizadas para afirmar que "Chávez foi quem ordenou disparar
contra a multidão". "A revolução não será
televisionada" demonstra, ao apresentar a edição completa da
seqüência de imagens (manipulada na edição das TVs), que os
grupos situados sobre a Ponte Llaguno de Caracas respondem ao fogo
de franco-atiradores (estes sim atiram nos manifestantes) e não
disparam sobre os manifestantes.
O ponto alto do documentário é
registrar a força das massas exploradas que derrotam os golpistas e
restituem o governo a Hugo Chavez. O povo enfrentou e passou por
cima de toda a mentira, fraude, manipulação da informação, da
repressão iminente e mostrou que é mais forte. Não aceitou as
“notícias”, recusou-as e saiu às ruas na manhã de sábado, 13
de abril, para denunciar que Chavez “ não renunciou! Está seqüestrado!”
e “ não te queremos Carmona! Ladrão!”. Centenas de milhares de
pessoas nas ruas cercam o Palácio Miraflores para exigir
“Queremos a Chavez!” e clamar “ Chavez amigo, o povo está
contigo!”.
Um ponto importante a ser
identificado e debatido: durante a noite do dia 11 de abril e na
madrugada do dia 12, o Palácio Miraflores foi cercado e os
golpistas ameaçaram bombardeá-lo caso Chavez não renunciasse.
Chavez resistia e afirmara que não
renunciaria. As horas passam e o prazo dado pelos golpistas estava
por terminar. A maioria do governo considerou que não havia saída:
“ O jogo acabou... é a vitória da morte” afirmara seu Ministro
do Desenvolvimento. O Conselheiro Político expressou que “ os
adversários eram muito poderosos e não deu tempo... Não
organizamos uma política de comunicações”. Por volta das 3:30 h
da madrugada, Chavez comunica que sairia e se entregaria, mas sem
renunciar, para ficar claro que se tratava de um golpe. Um sinal de
que aquele não seria o desfecho final é manifestado pelo próprio
Chavez, na saída do Palácio, diante da afirmação de um aliado
que grita: “ Presidente voltaremos”. Chavez afirma “ Ora! Nem
fomos embora”.
Porém a decisão de se retirar e
ceder às chantagens revela uma certa subestimação da capacidade
do povo empreender resistências vigorosas e múltiplas a ponto de
derrotar os golpistas. E mais: indica que a organização das massas
exploradas para resistir a estas situações não era uma
possibilidade presente na consciência política das forças que apóiam
o governo de Hugo Chavez. Portanto, não poderiam vislumbrá-la e
dela lançar mão. Apenas se conformaram: “ Não havia saída”,
“ O jogo acabou”. Para eles, não faltava uma política para
organizar as classes dominadas, mas sim o que “ não organizamos
[foi] uma política de comunicações”.
A preparação e organização dos
trabalhadores e das massas populares para fazer frente ao
antagonismo das classes dominantes e do imperialismo
norte-americano, que a luta de classes coloca na ordem do dia, não
pode depender da iniciativa “espontânea” das massas exploradas.
O fato de, neste episódio, elas terem se levantado e vencido o
golpe não poderia justificar a manutenção desse nível de
organização política. Debilidade que se evidenciaria perigosa
para a defesa dos interesses do povo venezuelano.
Estes pontos estimulam todos os
revolucionários e verdadeiros democratas a refletirem sobre a luta
antiimperialista. A experiência recente da América Latina é rica
neste sentido. Cabe aprender com os erros e não se contentar com as
insuficiências que batalhas vitoriosas possam ocultar, desviando o
povo do caminho da luta pela libertação nacional.
Ao contrário dos governos que estão
até a alma comprometidos em garantir os interesses do capital
financeiro internacional, o governo Chavez segue tomando medidas que
atingem o imperialismo e as classes dominantes da Venezuela. Os
acontecimentos registrados pelo documentário levaram o presidente
Hugo Chavez e a maioria de seu governo a avançarem e implementarem
medidas de estímulo à organização política do povo venezuelano
a fim de resistir à ofensiva do imperialismo e impulsionar a
“revolução bolivariana”.
Ficha Técnica:
Filmado e dirigido por: Kim Bartley e Donnacha O’Briain
Produção: Power Picture associada à Agencia
de Cinema da Irlanda
Edição: Angel H. Zoido
Produtor Executivo: Rod Stonemann
Produzido por: David Power
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